quarta-feira, 4 de março de 2009

Texto de Ariano Suassuna sobe ao palco

Tribuna do Brasil
04/03/2009

A sabedoria do autor revelada na forma simples e genial de falar das mazelas da vida
Montada pela primeira vez há 50 anos pela imortal Cacilda Becker, estará em cartaz, no próximo fim de semana, a deliciosa comédia de Ariano Suassuna, “O Santo e a Porca”. Serão ao todo cinco sessões: uma na sexta às 20; duas no sábado, às 18h e às 20h; e, outras duas no domingo, às 17h e às 19h. Indicada ao Prêmio Shell nas categorias de Melhor Atriz (Gláucia Rodrigues) e Melhor Figurino (Ney Madeira), “O Santo e a Porca” aborda o tema da avareza, sendo o "santo" do título Santo Antonio e a "porca" um cofrinho, símbolo do acúmulo de dinheiro e tão protetor quanto o santo.
De acordo com Suassuna, o texto “é uma imitação nordestina” da peça “Aululária”, também conhecida como a “Comédia da Panela”, do escritor romano Plauto. Em “O Santo e a Porca”, a avareza doentia de Euricão vai deixá-lo pobre e solitário. Caroba, criada de Euricão, para se casar com Pinhão, que trabalha para o milionário Eudoro, arquiteta um mirabolante, audacioso, confuso e hilário plano. Todos se deixam envolver tendo de um lado os “oprimidos” de todas as espécies e, de outro, os supostos opressores Euricão e Eudoro.
“O Santo e a Porca” não foge à regra dos espetáculos de Ariano Suassuna, nos quais a simplicidade do trabalho permeia toda ação dramática. Nesta montagem da Cia Limite 151, “o cenário de Nello Marrese cria, com recursos imaginativos, o ambiente não só de uma casa modesta nordestina, mas uma casa onde o delírio da economia do dono não permite qualquer luxo, com o todo completado pelos figurinos de Ney Madeira, que também contribuem muito precisamente para a criação do clima da peça”, conforme elogiou Barbara Heliodora. A temida crítica de teatro complementou: “O Santo e a Porca é um espetáculo que dá grande prazer pelo brilhante humor de seu texto e pela alegria da montagem”.
A encenação do diretor João Fonseca busca instaurar um ambiente de encantamento, onde os contrastes entre a riqueza e a pobreza saltam aos olhos. Depois de dirigir “Gota D’Água”, de Chico Buarque e Paulo Pontes e “A Falecida”, de Nélson Rodrigues, João Fonseca encara o desafio de mais um clássico, desta vez de um autor nordestino. “É um prazer dirigir textos brasileiros. Ainda mais porque em todos esses trabalhos o foco é no oprimido. O Santo e a Porca tem um olhar sobre o sertão, os grandes coronéis. Suassuna enxerga a capacidade de transmutar do pobre sertanejo, a capacidade de sobreviver.
A necessidade de sobreviver faz com a vida lhes dê uma inteligência grande para isso”, conta o diretor.“O Santo e a Porca” é profundamente cômico, festivo, mágico e malicioso e traz no elenco Élcio Romar, Gláucia Rodrigues, Armando Babaioff (o Benoliel da novela “Duas Caras”), Marcio Ricciardi, Duaia Assumpção, Janaina Prado (atualmente no ar como a personagem Manu, de “Caminho das Índias”) e Nilvan Santos.

Conhecendo o escritor Ariano Suassuna
Ariano Vilar Suassuna é advogado, professor, teatrólogo, romancista, poeta, ensaísta, defensor incansável da cultura popular do Brasil e do nordeste. Nasceu em João Pessoa (PB) em 16 de junho de 1927, filho de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna e Rita de Cássia Dantas Villar. Quando tinha três anos de idade, seu pai foi assassinado no Rio de Janeiro, por causa de lutas políticas.
Depois do trágico episódio, sua mãe mudou-se para Taperoá, com os nove filhos, onde Ariano Suassuna fez os estudos primários. A infância vivida no sertão familiarizou o futuro grande escritor e dramaturgo com os temas e as formas de expressão artísticas que viriam mais tarde a constituir, como ele próprio denomina, seu "mundo mítico".
Suas primeiras peças foram “Uma mulher vestida de sol” (1947), “Cantam as harpas de Sião” (1948) e “Os homens de barro” (1949). Desde o início de seu trabalho, Suassuna demonstrou clara inspiração popular combinada à convicção cristã, o que o levou a recuperar o auto religioso medieval em peças como o “Auto de João da Cruz” (1950) e “O arco desolado” (1952). Tornou-se conhecido do público, no entanto, com os trabalhos da segunda fase como o “Auto da Compadecida” (1955), com o qual obteve êxito nacional.Em outra abordagem dessas influências, Suassuna escreveu “O Santo e a Porca” (1957) e “O Casamento Suspeitoso” (1957). Utilizou elementos próprios do teatro de marionetes, tais como máscaras e a mecanização dos movimentos, em “A Pena e a Lei” (1959), premiada no Festival Latino-Americano de Teatro. Em 1960, fundou o Teatro Popular do Nordeste, onde apresentou “A farsa da boa preguiça” (1960) e “A caseira e a Catarina” (1962).
Suassuna interrompeu sua carreira de dramaturgo no final da década de 1960 para dedicar-se à prosa de ficção e ao papel de animador cultural no movimento Armorial, que pregava o resgate das formas de expressão populares tradicionais. O escritor transferiu a temática de sua dramaturgia para as obras “Romance da pedra do reino” e “O príncipe do sangue do vai-e-volta” (1971) e a “História do rei degolado nas caatingas do sertão ao sol da onça caetana” (1976). Suassuna também escreveu poesia e crítica de arte. Em agosto de 1989, foi eleito por aclamação para a Academia Brasileira de Letras, tomando posse em maio de 1990.

Serviço
Espetáculo “O Santo e a Porca”, com a Cia Limite 151
Data: 06, 07 e 08 de março de 2009
Horário: sexta (dia 06), às 20h; sábado (dia 07), às 18h e às 20h; e domingo (dia 08), às 17h e às 19h
Local: Teatro da Caixa - SBS Qd 4 lote 3/4, anexo do edifício Matriz da Caixa
Bilheteria: 3206-6456 (aberta de quarta-feira a domingo, das 12h às 21h) Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada para estudantes, pessoas com 60 anos ou mais)
Classificação: 10 anos
Fonte : Tribuna do Brasil
Data : 04 de março de 2009

Nenhum comentário:

Postar um comentário