Tribuna do Brasil
06/02/2009
Autor: Milene Sodré
Divulgação
Carlos Garaicoa utiliza concreto e linha para explicar o caos urbano
Está em exposição, no Centro Cultural Banco do Brasil, um dos ícones da arte contemporânea internacional. Até dia 22 de março quem estiver em Brasília terá a chance de ver toda sutileza e agressividade contidas, ao mesmo tempo, nas obras de Carlos Garaicoa, artista plástico cubano, que tem Havana como palco principal para suas obras, e o Brasil entre uma de suas inspirações.
Divulgação
Carlos Garaicoa utiliza concreto e linha para explicar o caos urbano
Está em exposição, no Centro Cultural Banco do Brasil, um dos ícones da arte contemporânea internacional. Até dia 22 de março quem estiver em Brasília terá a chance de ver toda sutileza e agressividade contidas, ao mesmo tempo, nas obras de Carlos Garaicoa, artista plástico cubano, que tem Havana como palco principal para suas obras, e o Brasil entre uma de suas inspirações. O público poderá conferir de perto toda expressão do artista na exposição “Garaicoa”, a primeira exposição a ser inaugurada no CCBB este ano, com curadoria de Rodolfo de Athayde e Ania Rodríguez.
A versatilidade de Carlos Garaicoa é marcante na exposição. As 21 obras na galeria transitam entre o universo das instalações, dos vídeos, das fotografias, maquetes e desenhos. A diversidade também está presente nos materiais utilizados por Garaicoa em seu trabalho, pois toda matéria é válida como suporte da idéia: a foto, o vídeo, a pedra, a linha, o prego, o vidro, a mesa, o papel, o arame, a luz, o livro, a bala, a água, o homem e a sua criação, a palavra. "Essa mostra apresenta a viagem criativa do artista, desde seus primeiros ensaios para entender Havana até obras mais recentes, que continuam a ser uma indagação universal do artista, que vai de cidade em cidade desconstruindo-as e extraindo delas suas essências", afirma Rodolfo de Athayde.
Discutir os espaços urbanos parece ser uma necessidade marcante no trabalho do artista. Fragmentos de concreto estão dispostos ao lado de fotos de ruínas que assim supõem sua origem levando o espectador a se questionar sobre o valor do que, a primeira vista, parecia apenas fragmento. "A desconstrução do urbano como dimensão espacial do humano faz com que as obras de Garaicoa apontem caminhos para a reflexão e o pensamento em geral, não só limitado aos contextos e símbolos das cidades que vivemos, mas também às relações que nela se estabelecem", diz o curador, ressaltando a importância de trazer a obra do cubano a Brasília, "uma cidade símbolo da utopia urbana e arquitetônica mundial".
Seja em Cuba ou onde estiver, o artista deixa claro em seu trabalho o forte discurso da influência das construções urbanas em nossas vidas, como na instalação "De como minha Biblioteca Brasileira se Alimenta de Fragmentos de uma Realidade Concreta”, que expressa o resultado de vivências de Garaicoa no Brasil.
A obra é um conjunto específico de símbolos: uma biblioteca de arquitetura brasileira, o concreto como matéria prima da cidade moderna, os impactos de balas marcados na superfície dos prédios simulados. "Para mim a arquitetura é uma forma de debater questões que outros artistas debatem por meio da pintura e da escultura", diz o artista. Em "A Habitação de minha Negatividade", uma das obras mais pessoais de Garaicoa encontramos o maior destaque da mostra. Aqui o artista expõe sua intimidade existencial e faz a palavra virar o foco principal de reflexão tanto quanto um objeto de arte. "É importante reparar na importância da palavra e nos sugestivos títulos usados pelo artista, indissociáveis do conjunto das obras", afirma Athayde. As obras de Garaicoa são carregadas de comentários provocativos, tais como a habilidade da arquitetura de alterar o curso da história, a falha do modernismo como um catalisador para a mudança social, a frustração e a deterioração das utopias do século 20.
Enquanto seus trabalhos interagem e abordam as várias cidades e locais ao redor do mundo, seu assunto e laboratório principal é sua cidade natal, Havana, com seus muitos edifícios inacabados e outros que desaparecem.
PROGRAMAÇÃO
A exposição fica no CCBB até o dia 22 de março, de terça a domingo, das 9h às 21h.
A entrada é franca e o evento é livre para todos os públicos.
Há ônibus gratuito para o local.
Horário dos ônibus para o CCBB
Horário dos ônibus para o CCBB
Teatro Nacional: 11h, 12h25, 13h50, 15h15, 16h40, 18h05, 19h30, 20h55, 22h.
SHN – Manhattan: 11h05, 12h30, 13h55, 15h20, 16h45, 18h10, 19h35, 21h,22h05. 21h05, 22h10.
SBS – Galeria dos Estados: 11h15, 12h40, 14h05, 15h30, 16h55, 18h20, 19h45, 21h10, 22h15.
Biblioteca Nacional: 11h20, 12h45, 14h10, 15h35, 17h, 18h25, 19h50, 21h15, 22h20.
UNB Biblioteca: 11h35, 13h, 14h25, 15h50, 17h15, 18h40, 20h05, 21h30, 22h35.

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